Impacto psicossocial das alergias alimentares





As opções de tratamento inadequadas criam um fardo pesado para os indivíduos com alergia alimentar e suas famílias. Os padrões atuais de cuidado aconselham os pacientes a evitar alimentos que causam reação alérgica, carregar injeções de epinefrina para interromper os sintomas de reação que são graves ou que afetam vários órgãos e, procurar atendimento médico de emergência se a epinefrina for usada.


Cuidar de crianças com alergia alimentar também cria dificuldades financeiras, custando às famílias muitas vezes o que elas não podem pagar e precisam pedir ajuda de familiares e até do governo para conseguir, por exemplo, a injeção de epinefrina. Pesquisas revelam muitos desafios sociais e emocionais enfrentados por indivíduos com alergias alimentares e suas famílias. Uma pesquisa com mais de 500 pacientes e familiares também destaca o custo psicossocial dessa doença, cerca de dois terços dos entrevistados relataram preocupações com a saúde mental relacionadas à alergia alimentar e, apenas um em cada seis pacientes e um em cada sete dos familiares receberam serviços de saúde mental para tratar dessas preocupações. Mais da metade dos entrevistados mencionaram que precisam de ajuda para lidar com a ansiedade e o estresse da alergia alimentar.


Devido à dieta restritiva, as crianças com alergia alimentar podem se sentir isoladas, diferentes e até mesmo excluídas de um grupo na escola, por exemplo, quando não são tratadas de forma inclusiva. A maioria dos professores por não saberem lidar com essa situação e por medo da criança ingerir algum alérgeno acidentalmente, optam por isolá-la durante o recreio ou evitam que ela participe dos lanches coletivos, das festas e datas comemorativas. Essa conduta é um paradoxo uma vez que apesar de ser um cuidado extremo pode acarretar consequências psicossociais traumáticas à criança. A criança com alergia alimentar é completamente normal e não precisa ser tratada de forma diferente das demais crianças. Uma rigorosa atenção à sua alimentação e aos momentos de refeições coletivas se faz necessário para que não haja a ingestão do alérgeno, mas com cuidado para que em nenhum momento a criança se sinta amedrontada ou excluída.


São necessárias medidas políticas para fortalecer e expandir a rede de segurança de saúde mental para indivíduos e famílias que administram alergia alimentar, promovendo uma abordagem centrada no paciente para a pesquisa de alergia alimentar que incorpora serviços de apoio para pacientes e famílias participantes em ensaios clínicos e patrocínio de inovações em diagnósticos de alergia alimentar para substituir os desafios alimentares orais por formas igualmente precisas, mas menos estressantes, de teste de alergia alimentar.